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Se dirigir na Itália já é uma aventura, na região da costa amalfitana esta atividade se acerba. Diferente da maioria dos lugares no mundo, aqui carros não servem só para ligar um ponto a outro. Representam sim uma espécie de esporte recheado de emoções fortes.

As rodovias da Costa Amalfitana são bem estreitas, íngremes, cheias de curvas radicaise repletas de abismos. Nelas, os motoristas são convidados a desafiar a lei de Arquimedes, que determina que dois corpos não ocupam espaço ao mesmo tempo. Não é à toa que a rodovia que liga Capri a Anacapri é conhecida pelos locais como “Estrada Mama Mia”.

É comum ver ônibus ou caminhões de dimensões impossíveis para o local apertado se encontrarem frente a frente, parando o trânsito que vem atrás de cada lado. Mas não há problema. Quando parece que o engarrafamento nas duas mãos da estrada é inevitável, surge assim do nada um voluntário. Ele orquestra com maestria um bailado de manobras e marcha rés com dezenas de veículos envolvidos e milagrosamente desfaz o nó.

 Curiosamente, há poucos acidentes. Isto não quer dizer que a maioria dos veículos deixe de apresentar cicatrizes na lataria lateral causadas por encontros entre eles. Vão de raspagens de pinturas, até espelhos arrancados das portas.                    

Não é incomum nas cidades da região um motorista parar o trânsito no meio da rua enquanto vai tranquilamente comprar uma pizza ou conversar com alguém que encontrou. Mas nem por isto buzinas ecoam e pessoas bufam. Credite-se a esta tranquilidade um estilo de vida napolitano, onde prevalece a máxima de que “há mais tempo que vida”.   

A título de colaboração aos que se habilitam a dirigir na Costa Amalfitana, eis algumasrecomendações baseadas em experiência pessoal para sobreviver ao trânsito desta encantadora área da Itália:

– Alugue um carro pequeno; quanto menor, melhor. Carrões conversíveis só dão certo no cinema, ou com novos ricos em busca de atenção, ou então com gente muito feia que tenta compensar a ausência de atributos físicos pela beleza dos seus veículos.

– Deixe a pressa de lado, pois ninguém quer chegar rápido a lugar algum. Além disso, a quantidade de vistas panorâmicas maravilhosas faz com que qualquer veículo se torne um potencial parador súbito, para fotografias ou apenas admirar a paisagem.

 – Esqueça tudo o que aprendeu em autoescolas. Aqui, as regras de direção são bastante peculiares, e por isto exigem doses cavalares de improvisação e adaptação. 

– Sempre que puder, evite o carro. Há caminhos sensacionais e lugares imperdíveis onde só dá para caminhar, ou é proibido dirigir, ou as ruas são exclusivas para moradores ou pedestres.    

 – Prefira estacionamentos públicos a vagas de rua. É muito fácil pegar uma multa por descumprir alguma regra desconhecida, ter o carro arranhado e o espelho quebrado, ou até ser vítima de roubo.

– Se você entrou em alguma rua errada, relaxe. Faça como os locais: simplesmente pare o trânsito na maior cara de pau, manobre e faça a curva necessária, que os demais esperam, sem constrangimentos.  

– Cuidado com os pedestres! Eles costumam ser tão loucos no trânsito como os motoristas. Parecem não ter medo de nada. Só que no final, por providência divina, tudo acaba sem acidentes.

– Lambretas podem surgir de repente, e costumam disputar espaço não só com carros, mas também com os pedestres nas calçadas. Como morcegos, têm um sexto sentido para se desviar no último minuto dos obstáculos à frente.   

– Atenção aos ônibus. Podem aparecer sem mais nem menos, geralmente atrás de uma

curva acentuada e sem visibilidade. Para evitar sustos deste tipo, oriente-se pelos espelhos parabólicos instalados nos pontos mais arriscados.

– Ônibus também gostam de parar de repente no meio da estrada, e com ele todo o trânsito que vem atrás. Aguarde calmamente o embarque e desembarque de passageiros, e não tente ultrapassá-lo com segurança, pois é grande a chance de encarar um veículo que chega na mão oposta.

– Eis o maior perigo: cuidado redobrado com o carro que trafega à sua frente. Pode se tratar de um motorista cauteloso tipo americano, acostumado a seguir regras normais do trânsito, e que por isto pode causar acidente.   

 

Mas não me entenda mal. Apesar de tudo, não deixe de dirigir na Costa Amalfitana. Primeiro, pela liberdade que o carro dá para se locomover sem restrições de hora ou local. Segundo, porque os ônibus urbanos nem sempre seguem horários confiáveis, podem demorar para aparecer, e quando surgem estão lotados. E terceiro, porque esta experiência inesquecível vai render muita história para contar quando voltar para casa.

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Para quem não me conhece, sou Fabio Steinberg, carioca, administrador e jornalista.Trabalhei na área de comunicação de grandes multinacionais, e depois por conta própria como consultor.Um dia achei que estava na hora de me concentrar em escrever. Entre matérias jornalísticas e colunas, já falei sobre viagens e negócios, carreiras e comportamento, fiz resenha de livros e sempre que posso sobre tecnologia e como ela afeta o comportamento das pessoas. Ah, sim, também publiquei três livros e tenho um site com os meus principais textos.Até que resolvi juntar as pontas, da experiência profissional à paixão por temas tão fascinantes e diversificados, em um único caldeirão. Foi assim que nasceu este lugar. Através do jornalismo e experiencia pessoal, minha meta é compartilhar aqui idéias e informações.Espero que goste e volte sempre.Dividir este espaço com você e todos que aparecerem por aqui será não só gratificante, mas uma honra!Um abraço,Fabio Steinberg

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