VIAGEM VIRTUAL - difícil determinar a fronteira entre experiência real e postagem para redes sociais
- Anúncios -
Accor Hotels
CVC
Compartilhe:
PayPal

Tudo indica que mobilidade virou sinônimo de intoxicação digital. Uma das principais vítimas desta tendência é o setor de turismo e viagens. O que antes parecia uma promissora evolução da tecnologia para facilitar as comunicações nos trajetos hoje começa a se transformar em pesadelo.

Passageiros parecem cada vez menos interessados em curtir paisagens, ouvir os guias, ou se socializar. Geralmente estão muito ocupados interagindo nas redes sociais.

Evolução

Primeiro vieram os notebooks. Trambolhos bem pouco portáteis, foram substituídos pelos tablets. Logo vieram dispositivos leves e práticos, como telefones e relógios inteligentes. Foram saudados pela capacidade de fotografar, telefonar e mandar mensagens para todo mundo, de qualquer parte do planeta.

NOVO PERFIL – o dependente digital não é mais só quem passa dias isolado em um desktop

Mas o tiro saiu pela culatra. Ficaram tão populares que hoje é mais provável alguém embarcar e esquecer cônjuge ou filhos em casa do que deixar de trazer o dispositivo eletrônico. Companheiro inseparável, tornou-se tão exigente que faz questão de participar de todos os momentos da viagem.

O problema não é o aparelho, mas como separá-lo das mídias sociais. Há uma regra não escrita de que uma experiência só se torna verdadeira se for registrada e compartilhada, e tem que ser na mesma hora.

FAMÍLIA (DES)UNIDA – ninguém mais está imune aos dispositivos e mídias sociais, nem mesmo o cachorro.
Seita gigantesca

O número de adeptos da nova seita é avassalador. Há mais de três bilhões de usuários, quase metade da população global. Cada um possui em média oito contas – entre elas Facebook, Instagram, LinkedIn, WhatsApp e Twitter. Basta dizer que sessenta bilhões de mensagens são disparadas por dia só pelo Facebook e WhatsApp juntos.

As mídias sociais vieram para ficar, e crescem de forma exponencial. A cada trimestre mais 120 milhões de usuários se somam aos existentes. Em média, diariamente cada pessoa se afasta do mundo real por mais de duas horas. Ou seja, pode até estar fisicamente presente, mas emocionalmente está lá longe.

Intoxicação digital
VICIO MALDITO – o dependente digital é tão viciado quanto o de drogas ou álcool.

Esta dependência digital – que especialistas já comparam ao álcool, drogas ou superalimentação, afeta não apenas comportamentos individuais, mas relacionamentos. Há efeitos colaterais, desde perda de sono, ansiedade, depressão, irritação, até prejuízos no trabalho e estudos. Por conta disso, a cada dia surgem organizações especializadas em livrar os viciados da intoxicação digital.

O uso sem limites das redes sociais, principalmente nas férias, tornou-se motivo de separação de casais. Intrigado com a questão, o escritório de advocacia londrino Brookman patrocinou uma pesquisa. Descobriu que nas viagens clientes se queixam dos parceiros “ausentes-presentes”, pois passam a maior parte do tempo grudados nos dispositivos.

Casamentos em crise

 

PIVÔ DA CRISE – tornou-se comum casais se separarem e culpar a dependência do cônjuge pelas redes sociais.

Dos entrevistados, 60% denunciaram que, ao invés de curtir a viagem, o acompanhante não parava de acessar as mídias sociais. Cerca de 25% reclamaram de viciados seriais, capazes de se desligar do mundo real incontáveis vezes por dia. O estudo concluiu que a dependência tecnológica aumenta o desgaste de casais. Assim, há gente que gasta mais tempo em relações virtuais com amigos, seguidores, e até estranhos, do que com quem está ao seu lado.

Nem sempre muito tempo dedicado às redes sociais caracteriza esta patologia. Um estudo da Universidade de Connecticut concluiu que a situação se torna grave quando o comportamento extravasa para o lazer e se replica em fins de semana, feriados e férias.

O trabalho avalia ainda que algumas pessoas têm menor risco de dependência, pois buscam nas redes apenas informação. Já o mais preocupante é quem está atrás de felicidade, realização pessoal, ou sentir-se parte de algo que falta em sua vida.

Fuga do vício 

Para preservar a qualidade de vida e relacionamentos intactos durante as viagens, há três gradações de medidas. A primeira é radical: não levar o telefone, principalmente em saídas curtas ou passeios com amigos ou familiares.

Uma alternativa mediana é usar o dispositivo no modo “avião”. Mas para casos graves, quando o usuário receia crises de abstinência, recomenda-se o acesso controlado às mídias sociais. Não mais que dois minutos, duas vezes por dia. E como cigarro bebida, sempre fugir de situações que levem à recaída no vício.

ROTAS EM CONTRASTE – o risco das redes sociais é a experiência verdadeira ser substuida pela versão falsa e irreal
Compartilhe:
- Anúncios -
Artigo anteriorA incrível teimosia dos cruzeiros no Brasil
Próximo artigoCosta Rica, o país da “pura vida”
Para quem não me conhece, sou Fabio Steinberg, carioca, administrador e jornalista.Trabalhei na área de comunicação de grandes multinacionais, e depois por conta própria como consultor.Um dia achei que estava na hora de me concentrar em escrever. Entre matérias jornalísticas e colunas, já falei sobre viagens e negócios, carreiras e comportamento, fiz resenha de livros e sempre que posso sobre tecnologia e como ela afeta o comportamento das pessoas. Ah, sim, também publiquei três livros e tenho um site com os meus principais textos.Até que resolvi juntar as pontas, da experiência profissional à paixão por temas tão fascinantes e diversificados, em um único caldeirão. Foi assim que nasceu este lugar. Através do jornalismo e experiencia pessoal, minha meta é compartilhar aqui idéias e informações.Espero que goste e volte sempre.Dividir este espaço com você e todos que aparecerem por aqui será não só gratificante, mas uma honra!Um abraço,Fabio Steinberg

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here