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Medicina associada a turismo tem “liga”? A primeira reação é que esta combinação é incompatível, e para alguns até de mau gosto. Mas a prática tem demonstrado exatamente o contrário. De operações cardíacas de by-pass a plásticas estéticas, este negócio está bombando. Basta dizer que impressionantes 143 bilhões de dólares são estimados para este mercado mundialmente em 2022, indica um relatório da Allied Market Research.

Fatores como custos, disponibilidade, e fácil acesso a serviços de saúde, com apoio de entidades privadas e governamentais do turismo prometem alavancar esta florescente indústria. E, de carona, acirrar ainda mais a concorrência entre países que querem atrair mais pacientes-turistas.

Na contramão, restrições de cobertura de seguro e limites de reembolso dos planos de saúde, além de dificuldades, como obtenção de vistos e barreiras de idioma ainda limitam um maior desenvolvimento do setor.

O tratamento de câncer em países das regiões da América do Norte (México, seguido dos Estados Unidos) e Ásia-Pacífico (Tailândia, Cingapura e Índia) mantém a liderança desta nova modalidade de turismo, com a concentração de até 60% da renda gerada.

Em paralelo, o segmento que mais se expande é o neurológico, provocado pelo estilo de vida caótico e estressante da civilização moderna. Tailândia, Malásia, Índia e Cingapura são os países que apresentam as melhores taxas de sucesso em procedimentos clínicos e uma excelente relação custo-benefício. 

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Nesta mesma trilha, surgiram não só agências de viagens especializadas em lidar com tratamentos médicos, como consultorias que fornecem informações sobre a disponibilidade e qualidade dos serviços nos diversos países, assim como suporte para os trajetos e acomodações tanto para antes como depois dos procedimentos, na fase de recuperação. 

Com a facilidade do acesso online, a fórmula que mescla tratamento médico com viagem num só pacote se popularizou. Destinos turísticos se apressam a participar deste promissor mercado, como Dubai, que quer ser conhecida como a “cidade dos cuidados com a saúde”.

A consultoria Transparency Market Research estima um potencial de renda de 32,5 bilhões de dólares em 2019 só para países como Costa Rica, Coréia do Sul, Filipinas, Tailândia, Brasil, Turquia, Índia, Taiwan, Índia, Polônia, Dubai México, Malásia e Cingapura. Ou seja, sem levar em consideração nestes valores os gigantescos e consagrados mercados dos Estados Unidos e Europa. Diante de tão rico filão, até países africanos começam a se interessar.

 A mesma consultoria avalia em outro estudo o mercado dental, e aponta como novos polos de atração de estrangeiros a Índia, Turquia e Hungria, embora Alemanha e Inglaterra ainda liderem. Igualmente gulosa, a China tampouco pretende deixar de lado este saboroso mercado, e só em cirurgia plástica abocanhou 100 bilhões de dólares com estrangeiros em 2014.

 Na Ásia, os países estão se dividindo por especialização. A Índia está focada em cirurgia cardíaca, enquanto Cingapura domina os procedimentos mais complexos. Já a Malásia, com a firme intenção de atrair 2 milhões de pacientes até 2019, preferiu ampliar sua gama de serviços médicos, implantando para isto uma moderna infraestrutura de serviços e uma rede de profissionais altamente capacitados.

 Por que os Estados Unidos, onde se localizam os centros médicos mais avançados do mundo, exportam tantos pacientes para o resto do mundo? A resposta está nos preços para lá de salgados. Um by-pass que nos Estados unidos sai por 88 mil dólares não passa de 31 mil dólares na Costa Rica. Da mesma forma, um novo quadril que custaria 33 mil dólares é quase três vezes mais barato na Tailândia. A conta de uma plástica se reduz de 6.200 dólares para 2.800 dólares no México.

Claro que a pergunta final e que não quer se calar se refere ao Brasil. Já que contamos com uma medicina de reconhecida qualidade e uma boa infraestrutura turística e uma taxa de dólar muito favorável aos estrangeiros, o que falta para também participarmos deste mercado?  Avaliações e conclusões podem ser enviadas para a portaria do Ministério do Turismo, e quem sabe com sorte serão analisadas por algum futuro titular de plantão.

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Para quem não me conhece, sou Fabio Steinberg, carioca, administrador e jornalista.Trabalhei na área de comunicação de grandes multinacionais, e depois por conta própria como consultor.Um dia achei que estava na hora de me concentrar em escrever. Entre matérias jornalísticas e colunas, já falei sobre viagens e negócios, carreiras e comportamento, fiz resenha de livros e sempre que posso sobre tecnologia e como ela afeta o comportamento das pessoas. Ah, sim, também publiquei três livros e tenho um site com os meus principais textos.Até que resolvi juntar as pontas, da experiência profissional à paixão por temas tão fascinantes e diversificados, em um único caldeirão. Foi assim que nasceu este lugar. Através do jornalismo e experiencia pessoal, minha meta é compartilhar aqui idéias e informações.Espero que goste e volte sempre.Dividir este espaço com você e todos que aparecerem por aqui será não só gratificante, mas uma honra!Um abraço,Fabio Steinberg

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