VOO LIVRE? O viajante corporativo voa desde que respeite as regras estabelecidas pela empresa
- Anúncios -
Compartilhe:

Avistado em hotéis, aeroportos e restaurantes, sozinho ou em manada, o viajante corporativo não é um animal qualquer. Apresenta comportamento diferenciado quando exposto a grandes ambientes, mesmo os mais hostis. Além disso, demonstra enorme intimidade com rituais e procedimentos que exigiriam imenso esforço e atenção dos demais seres.

Ele sabe como ninguém fazer check-in, despachar malas, ler cardápios em qualquer idioma, entrar e sair de avião com desenvoltura, pegar taxi, dar gorjetas, mesmo em lugares onde jamais colocou os pés. Faz isto de forma automática, com um jeitão que oscila entre o blasé e o entediado.

NOVA CARA EM NEGÓCIOS no lugar de estressados executivos engravatados, os aeroportos começam a ser ocupados por millenials antenados

No passado, o viajante corporativo era facilmente reconhecido pelo terno discreto e a maleta executiva. Hoje, mimetizado em traje casual e mochila nas costas, pode ser confundido com um viajante comum. O que o separa dos demais é a grife em tudo o que usa. Por isto, é considerado animal de um outro zoológico.

Protegido pelo sobrenome e cofre da empresa onde trabalha, ele é paparicado por qualquer prestador de serviço da cadeia econômica de viagens. Afinal, o viajante corporativo faz parte de um grupo de consumo que responde por 80% dos usuários mais frequentes de aviões, hotéis e restaurantes caros.

PESQUISAS

Como cliente prioritário, é um dos públicos mais pesquisados sobre seus hábitos e costumes. Ninguém quer correr o risco de perder negócios por tratá-lo de forma indevida, ou deixar de captar suas vontades e interesses.

Uma destas pesquisas foi feita recentemente pela Carlson Wagonlit Travel (CWT) com viajantes corporativos de 16 países. O trabalho conclui que o foco de atenção do viajante se altera em função de sua região geográfica. Por exemplo, a maior preocupação dos norte-americanos e dos brasileiros é manter contato com a família.

DÁ PRA MALHAR? A prioridade dos viajantes corporativos asiáticos é tempo para se exercitar.

Este problema não é prioridade para os europeus, que estão mais interessados em questões de segurança. Já os asiáticos não ligam tanto para estas duas questões, mas sim em como melhor utilizar o tempo livre para exercitar nas viagens.

TECNOLOGIA

Ao avaliar como a tecnologia afeta o viajante corporativo, a pesquisa descobriu que, não importa de que parte do planeta, todos adoram viajar a trabalho. E que costumam estar sempre conectados, pois acreditam que esta é a melhor forma de serem mais produtivos.

COM QUAL EU VOU? – Em média o viajante corporativo leva pelo menos quatro dispositivos móveis

Para trabalhar durante o percurso, carregam em média quatro dispositivos diferentes ao mesmo tempo, e que podem ser smartphones, celulares, tablets e laptops. Na prática, o mais utilizado é o laptop (52%), seguido pelo celular (32%) e tablets (11%). Uma minoria (5%) prefere ser comunicar à moda antiga, ou seja, priorizando contatos pessoais.

Os viajantes corporativos utilizam diferentes canais para falar. Com familiares ou amigos, preferem chamadas telefônicas (44%), Skype (24%) e aplicativos de mensagens tipo WhatsApp (17%). Ao se conectar com colegas de trabalho usam e-mail (44%), ligação telefônica (24%) e mensagens de texto (14%).

Diferente do viajante comum, que cada vez mais faz reservas para voos e hotéis direto nos sites, o corporativo costuma contar com a intermediação da agência. Mas alto lá! Não se trata de agência comum, destas que há aos milhares pelo país.

DOBERMAN
QUEM VAI ENCARAR?
As TMCs protegem seus territórios com dentes bem afiados

Turbinadas, ela se apresenta com o nome de TMC (travel management company). Entre os serviços diferenciados, serve como uma espécie de babá para o passageiro, antes, durante e depois de cada trajeto. Além disso, permite às empresas que as contratam terceirizar diversas rotinas que envolvem processos, controles e pagamentos associados a viagens.

Pelo imenso potencial de uso frequente e receita gerada, dá para imaginar como companhias aéreas, hotéis e outros provedores disputam a tapa este precioso cliente. Da mesma forma, as cerca de três dúzias de TMCs que atuam no Brasil, felizes da vida com os resultados, protegem seus territórios com ferocidade equivalente a um cão doberman.

O NOVO VIAJANTE – Cada dia fica mais difícil saber quem é e qual o cargo do passageiro ao seu lado
Compartilhe:
- Anúncios -
Artigo anteriorComo São Paulo consegue prejudicar a aviação
Próximo artigoTer carro próprio é burrice?
Para quem não me conhece, sou Fabio Steinberg, carioca, administrador e jornalista. Trabalhei na área de comunicação de grandes multinacionais, e depois por conta própria como consultor. Um dia achei que estava na hora de me concentrar em escrever. Entre matérias jornalísticas e colunas, já falei sobre viagens e negócios, carreiras e comportamento, fiz resenha de livros e sempre que posso sobre tecnologia e como ela afeta o comportamento das pessoas. Ah, sim, também publiquei três livros e tenho um site com os meus principais textos. Até que resolvi juntar as pontas, da experiência profissional à paixão por temas tão fascinantes e diversificados, em um único caldeirão. Foi assim que nasceu este lugar. Através do jornalismo e experiencia pessoal, minha meta é compartilhar aqui idéias e informações. Espero que goste e volte sempre. Dividir este espaço com você e todos que aparecerem por aqui será não só gratificante, mas uma honra! Um abraço, Fabio Steinberg

2 COMENTÁRIOS

  1. Caro Amigo Fabio
    Como sempre direto ao ponto, fiel a realidade, eh gratificante ler suas matérias.
    Abraços
    Antonio Luiz

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here