O novo One World Trade Center com 103 andares já se incorporou ao skyline de New York
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Como insaciável hidra de mil cabeças, New York se reinventa a cada momento, e em todos os lugares. Quando todas possibilidades de criar prédios, instituições e tendências parecem esgotadas, eis que de onde menos se espera brotam novidades.

Esta legendária capacidade de criação que é sua marca registrada está sendo colocada à prova neste instante. Em resposta, novos projetos de hotéis, infraestrutura, atrações, arte e cultura começaram a pipocar. Iniciativas, algumas  em operação e outras previstas para breve, continuam a redesenhar a cidade considerada Capital do Mundo.

Há sete anos New York bate recordes sucessivos de visitantes. Em 2016 recebeu quase 61 milhões de turistas. Destes, 13 milhões (cerca de 20%) internacionais. Em 2017 não deve ser diferente. Estimativas são que a este número se agregue mais um milhão de pessoas.

Para receber um exército de turistas, a negócios ou lazer, New York dispõe de 113 mil quartos de hotel, que devem ser ampliados para 137 mil até 2019. Destacam-se na nova safra o Brooklyn Bridge, The Whitby Hotel, 50 Bowery, MOXY NYC Times Square. E ainda o Public, The Hoxton Brooklyn e New York EDITION Times Square.

É impossível falar de todas as novidades não só para a ilha de Manhattan, a área mais conhecida de New York, mas também para os demais quatro condados – Bronx, Brooklin, Queens e Staten Island sem cometer erros de omissão. A energia que contagia a metrópole, a mais populosa dos Estados Unidos, permite citar apenas destaques.

Por exemplo: só na icônica Times Square e cercanias, verdadeiro coração da cidade, como se não bastassem teatros que se estendem por toda a Broadway, surgiram pelo menos quatro novas atrações.

A primeira é o Gulliver’s Gate. Tendo como referência o famoso livro As Viagens de Gulliver, escrito por Jonathan Swift no século 18, esta exposição interativa adota a mais avançada tecnologia. Isto permite que o visitante abandone o mundo real e embarque numa inédita experiência visual.  A miniaturização de lugares, veículos, pessoas e animais permite até que o próprio visitante, depois de escaneado, tenha sua versão mirim incluída no cenário. Bairros, cidades, edifícios, monumentos, ruas, e estradas reais ou ficcionais, dos Estados Unidos ou do mundo, se sucedem em uma travessia mágica.

Mil trenzinhos puxam 12 mil vagões através de centenas de metros de trilhos. Réplicas em 3D de locais como Times Square, Grand Central Terminal, cenas de Manhattan e de todo o mundo, além de minúsculos carros, barcos, aviões, naves espaciais e até balões se revezam neste projeto realizado por mais de 100 artistas de 8 países. Instalada em um quarteirão com espaço de um campo de futebol, o Gulliver’s Gate fica no prédio onde funcionou o jornal New York Times.

Até o final de 2017, a National Geographic promete inaugurar a Ocean Odissey (Odisseia Oceânica). Trata-se de uma jornada de tirar o fôlego ao fundo do Oceano Pacífico, através de tecnologias de realidade virtual, fotos reais em alta resolução e telas gigantescas.

Na mostra é possível interagir em tempo real com leões marinhos, brincar com arraias e golfinhos, ou ver-se face a face com baleias, tubarões brancos ou enormes lulas de Humboldt. Em 5.500 metros quadrados, o visitante tem oportunidade de se aproximar das maravilhas da natureza e das incríveis criaturas que habitam águas mais profundas e inalcançáveis.

Está também batendo à porta de Times Square este ano o legendário Grand Ole Opry de Nashville, o mais famoso local de shows de música country. Com quatro andares em espaço de 2.500 metros quadrados, o novo local de entretenimento inclui vários ambientes. Há lugares para música, sala de audição, loja, restaurante, e um espaço para homenagear artistas famosos que se apresentaram no palco original da cidade do Tennessee.

Para fãs do futebol americano vem aí o NFL Experience Times Square. De uma parceria entre duas ligas (NFL e NFLPA) e o Cirque du Soleil, nasce uma experiência diferente de imersão. Em 3.700 metros quadrados o projeto inclui um teatro para 350 pessoas, atividades interativas, programas educacionais e as melhores práticas do esporte.

Mas não é tudo. Há ainda um restaurante com comidas e bebidas típicas dos estádios e exposição com itens pessoais de famosos jogadores dessa modalidade.

Mas a evolução da cidade não ocorre só na Times Square. Das cinzas da trágica destruição do WTC, surgem emocionantes monumentos e novos empreendimentos. O primeiro é o Westfield World Trade Center, que se propõe a ser um dos mais completos centros comerciais de New York. O local é um mix de 150 marcas de moda, culinária, tecnologia e estilo de vida. É lá que passou a funcionar a Eataly Dowtown, segunda loja do badalado espaço de comida italiana.

No outro lado da rua foi inaugurado o The One World Observatory, que já se tornou atração turística, como testemunham as longas filas. Ocupa os três últimos dos 102 andares do recém construído One World Trade Center, considerado o prédio mais alto do hemisfério ocidental. No topo, após desembarcar de um dos elevadores mais rápidos do mundo, além do observatório com exposições interativas e guias que indicam os pontos mais significativos da cidade, o visitante pode assistir um filme sobre New York e encontrar várias opções de restaurantes.

Bem pertinho, há o Brookfield Place, conjunto de arranha-céus que incluem lojas de alto luxo e restaurantes sofisticados, seis deles aclamados pela crítica e que se localizam no Le District, área de inspiração francesa.

Mas surgem também bairros novos. Um deles é o Hudson Yards, um dos maiores empreendimentos imobiliários da história dos Estados Unidos. Superior em New York desde o Rockefeller Center, construído em 1939. Além de novos edifícios que deverão ser ocupados por 5 mil pessoas, o local terá mais de 100 lojas e boutiques. Em complemento, 20 restaurantes, hotel de luxo e amplo espaço público. Nele se instalará o Vessel, obra de arte de 600 toneladas. Com 154 lances de escadas interconectadas em 15 andares, oferecerá vistas deslumbrantes da cidade.

Nem mesmo projetos mais antigos foram desprezados. Um bom exemplo é o Pier 17 em Seaport. A reconstrução permitirá 40% mais espaço, visão expandida do porto, Estátua da Liberdade, Brooklin e parte sul de Manhattan. Envelopada por  fachada de vidro, o novo Pier 17, que será reaberto em 2018, inclui variedade de lojas e restaurantes, além do comércio de rua no entorno.

A lista de inovações em infraestrutura igualmente impressiona. Por exemplo: 700 quiosques foram instalados para oferecer de graça a residentes e visitantes internet de alta velocidade, ligações telefônicas e recarga de dispositivos. Eles também devem substituir as cabines e chegar a 7.500 até 2024.

Mesmo a extensa rede do metrô, decidiu investir em nova linha depois de 50 anos. Ela se estende pela Segunda Avenida, e quando completa vai alcançar 14 quilômetros. Aliás, todas as 279 estações de metrô ganharam acesso gratuito ao wi-fi. O terminal de trens da Penn Station e os aeroportos LaGuarda e John F. Kennedy estão sendo reconfigurados. Para uma cidade que em 2016 recebeu 6.1 milhões de delegados de eventos, o centro de convenções tornou-se pequeno, e está em plena expansão.

Mas há muito mais nesta interminável linha de produção. Como os museus para crianças Spark, no Brooklin, Sugar Hill, no Harlem e Grand Councourse, no Bronx. O Instituto de Diáspora Africano de Cultura Caribenha no Harlem. O Anfiteatro Ford em Coney Island. A inauguração dos museus de Fotografia Internacional, Met Breuer, Dahesh e Whitney. A expansão do museu Snug Harbor, em Staten Island. O Centro para Estudos da História das Mulheres. O aquário do zoológico de Staten Island. O museu da Estátua da Liberdade. A maior roda gigante do mundo em Staten Island. A maior pista de patinação no gelo do mundo no Bronx. E o Pier 55, novo espaço em Manhattan para espetáculos de música, dança, teatro e arte público, prometido para 2019.

Para quem chega a New York, habitué ou marinheiro de primeira viagem, nunca vai faltar o que fazer. Há sempre algo divertido ou vibrante acontecendo na cidade. Sejam tradicionais musicais e teatros da Broadway ou off-Broadway, concertos e filmes indoors ou ao ar livre, tours a pé, ônibus de dois andares. Ou compras, visitas a museus ou atrações históricas, culinária de todo o mundo. Ou encontrar um personagem famoso ou alguém apenas em busca da fama fácil. Tudo é pretexto para vir à cidade e descobrir o inusitado. E que  já está ocorrendo ou sendo criado neste instante por incansáveis mentes brilhantes.

Um terminal só para pets

O Aeroporto JFK em New York ganhou um sofisticado terminal especializado em embarque e hospedagem de cães, gatos, pássaros, espécies exóticas e até cavalos. A meta do Ark Oasis é descomplicar a viagem aérea de pets, e oferecer a eles um tratamento mais humanizado.

Com investimentos de 65 milhões de dólares em área de 16.500 metros quadrados, o local funciona 24 horas por dia. Atendido por 150 funcionários, o Ark se divide em cinco seções. Há lobby para check-in dos pet-viajantes, área para curta estada, espaço para quarentena, hospital, e resort chamado Paraíso 4 Patas. Durante escalas de voo ou enquanto aguarda a chegada do dono, o bichinho ganha banho, guloseimas, descansa ou brinca. Os animaizinhos dispõem de piscina com formato de osso, suítes com camas do tamanho de gente e telas com câmeras para comunicação com os proprietários. Além do serviço de alimentação customizado, um salão de beleza oferece serviços de massagens, esteiras, caminhadas e até manicure.

NYC & Company

Por trás da capacidade de canalizar o fascínio da cidade para transformá-lo em sucesso turístico, há uma organização muito azeitada. A NYC & Company é a segunda geração do antigo Convention & Visitors Bureau (CVB). Surgiu para promover o turismo de negócios e atrair convenções e eventos profissionais para a cidade. Com escopo mais amplo, inclui o lazer com foco sobre o destino e sua projeção global. Com isto, a hotelaria deixa de ser quase que o único contribuinte através de taxas sobre as diárias (room tax). Os demais setores que também se beneficiam do turismo dividem a conta.

A NYC & Company acertou na mosca na mudança. Basta dizer que quase 80% dos visitantes chegam a lazer. E mais: em 2014, dos 41 bilhões de dólares arrecadados com o turismo, só 28,8% foram gastos em hotéis. A maior parte veio do comércio (22%), alimentação (20%), transporte (18%) e entretenimento (11%). Seu espectro de 2 mil associados é diversificado. Inclui não só hotéis, mas restaurantes, museus, comércio, teatros, operadoras de turismo, atrações, e que garantem 61% do orçamento.

Publicado na revista Viagens S.A. – julho 2017

PDF New York, a super fábrica de novidades

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FONTENew York
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Para quem não me conhece, sou Fabio Steinberg, carioca, administrador e jornalista. Trabalhei na área de comunicação de grandes multinacionais, e depois por conta própria como consultor. Um dia achei que estava na hora de me concentrar em escrever. Entre matérias jornalísticas e colunas, já falei sobre viagens e negócios, carreiras e comportamento, fiz resenha de livros e sempre que posso sobre tecnologia e como ela afeta o comportamento das pessoas. Ah, sim, também publiquei três livros e tenho um site com os meus principais textos. Até que resolvi juntar as pontas, da experiência profissional à paixão por temas tão fascinantes e diversificados, em um único caldeirão. Foi assim que nasceu este lugar. Através do jornalismo e experiencia pessoal, minha meta é compartilhar aqui idéias e informações. Espero que goste e volte sempre. Dividir este espaço com você e todos que aparecerem por aqui será não só gratificante, mas uma honra! Um abraço, Fabio Steinberg

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